segunda-feira, 13 de julho de 2009

Crítica: Br22 BobN Remix - Bob N

(ao meu amor)

(publicado no catálogo da exposição)

Baudelaire dizia ter pena dos artistas que se dizem guiados apenas pelos instintos. Bob N afirma perceber a importância de suas obras somente depois de realizadas. Porém, Bob não é digno de dó. Na quinta das onze "Teses sobre Feuerbach", Marx diz que esse primeiro filósofo "não satisfeito com o pensamento abstrato, quer a intuição; mas não apreende a sensibilidade como atividade prática, humano-sensível.". Bob trabalha mais na sensibilidade. A partir de referências diversas e explícitas e um largo e afiado humor, o artista cria sua personalidade e obra.

O costume de contar versões alternativas de histórias acabou por se tornar a base estrutural dessa exposição. Retirando elementos de quadros de Tarsila, Pancetti, Di Cavalcanti e Anita Malfatti e alterando essas imagens digitalmente, Bob N cria novas molduras para essas obras, conversando sobre o papel ativo do espectador-decodificador no deleite estético e colocando em cores a questão da referência referente, da re-originalidade, da reedição: não é à toa o nome "Br 22 Bob N Remix". Bob está expondo seu trabalho de DJ de imagens modernas brasileiras. "O DJ, copiando e colando loops de músicas, ativa a história da música" diz o crítico da Postproduction Nicolas Bourriaud. Bob N ativa a História da Arte Brasileira.

As fantasias e anedotas que Bob pessoalmente não pára de contar são constantes também em seu trabalho. Em um ato falho (ideológico), Bob N se defende e afirma fortemente "meu trabalho é sério!". E ninguém nunca saberá o que ele pensou ao dar o longo sorriso depois da afirmação. Bob entende que o humor é o caminho fácil mais difícil e que, se bem elaborado, como Bob o faz naturalmente, pode funcionar como saída à racionalidade e à seriedade ascética urbano-industrial.

Sem medo de ser humor-arte, sem medo de discotecar imagens recicladas do tesouro nacinal, Bob corajosamente dá a cara a tapa (colo)rindo no MAM. Se, na última daquelas "Teses sobre Feuerbach", Marx diz que "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo", polarizando, assim, teoria e prática, Bob N mostra aqui que pôde transformar materializando a interpretação, convidando-nos, em seqüência, a interpretar sua obra. E a transformá-la com nossas interpretações.

Crítica: Neoconcretismo 50 anos

(ao meu amor)

Na ocasião da I Exposição Neoconcreta aberta em 19 de março de 1959, o MAM-Rio ainda era um jovem museu que completava 10 anos, mas, mesmo com o pouco tempo de existência, sua relação junto a parte do grupo de artistas com trabalhos nesta exposição começara muito antes.

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro foi fundado em 1949 por um grupo de brasileiros que se reuniram comungando do propósito de intervir na velocidade do processo de modernização do nosso país. Além das questões políticas econômicas industriais e sociais, tornar um país "moderno" passava também por uma importante questão: a cultura. Tendo sua sede primeira em algumas salas emprestadas pelo Banco BoaVista, o museu levaria ainda três anos para, em 1952, ocupar parte do prédio do Ministério da Saúde e Educação. Neste novo endereço, além das muitas palestras, conferências e encontros de artistas que aconteciam regularmente, foram montados entre os pilotis do edifício do MEC os importantes ateliês ministrados por Ivan Serpa. O pintor que, a essa altura, já havia sido premiado na I Bienal de São Paulo com uma obra concretista, começava a formar, em suas aulas, um grupo de artistas que viria a se chamar Grupo Frente. Neste grupo, diferentemente do que acontecia, por exemplo, no Grupo Ruptura em São Paulo, não havia nenhum tipo de dogmatismo ou homogeneidade: mesmo que alguns caminhassem juntos pela abstração geométrica, outros, como Carlos Val e Elisa Martins, trabalhavam com propriedade na figuração. Naqueles anos, devido à relação conjugal entre a presidente do museu, Niomar Muniz Sodré, e o proprietário e diretor do Correio da Manhã, Paulo Bittencourt, a imagem construída do MAM no imaginário carioca era a de um museu voltado para o futuro e o que havia de identidade entre aqueles 15 artistas do Grupo Frente era, exatamente, o princípio da livre experimentação e da necessidade moderna de superação do passado tradicional a partir da construção de um presente voltado para a mudança. Por isso, aqueles artistas, ao ligarem suas vidas e imagens às do museu, estavam ligando suas vidas e imagens à cena moderna.

O Grupo Frente dura poucos anos e parte do motivo de sua dissolução foi a adesão de alguns de seus artistas ao projeto concretista brasileiro na I Exposição Nacional de Arte Concreta em dezembro de 1956 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Porém, as diferenças entre paulistas e cariocas se tornaram evidentes, culminando na separação entre concretistas de São Paulo e neoconcretos do Rio de Janeiro. Segundo Mario Pedrosa, o mar e o sol induziam os cariocas à negligencia doutrinária: a severa consciência concretista seria exagerada. Alguns dos membros daquele Grupo Frente nascido no MAM, mesmo com Ivan Serpa na Europa devido ao Prêmio Viagem ao Exterior conferido no VI Salão Nacional de Arte Moderna, continuaram a freqüentar e se reunir ao redor do museu e, a partir também dessas reuniões, formaram o grupo neoconcretista.

Diferente das vanguardas modernas européias, esse grupo iniciou sua produção antes da publicação de seu manifesto. Opondo-se quase marginalmente à moda do tachismo internacional e ao tradicionalismo brasileiro que ainda glorificava Portinari, Pancetti e Di Cavalcanti como verdadeiros bons modernos brasileiros, os neoconcretos rejeitaram sistemas conceituais excludentes, criando um modernismo renovável de artistas independentes com identidades moldadas em situações diferentes. Eram artistas-pesquisadores que negavam a racionalidade exacerbada em nome do exercício da subjetividade e que começavam a propor a introdução do corpo na dinâmica produtiva do efeito estético.

Há 50 anos, o MAM abrigou estes artistas cuja liberdade de experimentação deu base para a geração que emergiria no cenário das artes brasileiro nos anos 60 e 70 e a História tratou de nos fazer reconhecer o valor daquele pequeno grupo. Com a finalidade de comemorar esse meio século, o MAM homenageia, certamente com prazer e com a devida reverência, esses artistas que fizeram, nesta instituição, o que viria a ser parte importantíssima da construção da arte contemporânea brasileira.


Crítica: Biblioteca - Araken

(ao meu amor)

(pq crítica com amor é outra coisa)

A partir do dia 30 de junho, estará aberta no 2o andar do MAM a exposição "Biblioteca" do artista Araken. A exposição contará com mais de mil pinturas do artista dispostas nas páginas de 33 livros apoiados sobre duas asas de avião. Os trabalhos apresentados, elaborados nos mais diferentes materiais - de resina e betume a tinta e verniz -, são o resultado de uma formação um tanto incomum: Araken fez carreira como aviador na aeronáutica, depois, por um longo período, estudou filosofia e teologia e, já há mais de 40 anos, se dedica à teoria, história e produção de arte.

Na introdução do livro "A Água e os Sonhos", o autor Gaston Bachelard escreve: "Para conhecer o homem, dispomos apenas da leitura, da maravilhosa leitura que julga o homem de acordo com o que ele escreve. Do homem, o que amamos acima de tudo é o que dele se pode escrever. O que não pode ser escrito merece ser vivido?". Araken parece achar que sim. Ele vem com essa exposição criticar a noção de que só se apreende o mundo pela razão: colocando as pinturas abstratas (puro sentidos - pura sensibilidade) para dentro dos livros (trono sagrado da linguagem escrita, símbolo da racionalidade), Araken propõe outros caminhos para o tangenciamento da realidade. A noção platônica de que a verdade do mundo não é revelada à comum percepção dos sentidos, mas apenas pelo exercício do raciocínio (que está arraigada na lógica aristotélica, na teologia tomista e no cogito cartesiano) é colocada em questão nesta exposição.

Colocando pinturas em páginas de livros abertos, Araken empresta o título de "via para a verdade" à arte e critica nosso cientificista mundo que elegeu a razão como esse único caminho. A Biblioteca de Araken poderia remeter a Guilherme de Occan, base do empirismo, ou a Nicolas d'Autrecourt, seu seguidor, que, na Idade Média, afirmava que os dogmas da Igreja baseados exclusivamente na razão não possuíam valor, mas, se baseados na fé, fariam todo o sentido. Afinal, a fé nada mais é do que a crença no que é absurdo (vide Shestov), no que é além-razão. Ainda caminhando na filosofia, a instalação poderia remeter à noção espinosista de que "a mente e o corpo são uma coisa só, o que é concebido ora sob o atributo de pensamento, ora sob o atributo de extensão". Admitindo e negando a separação do corpo e da mente, Espinosa admitia a sensibilidade como razão e além-razão. Mas não. Não foi por esse caminho que cresceu o pensamento de Araken. O artista, religioso, diz: "No mundo das artes, não se dá muito espaço para quem fala de crença, religião e fé, mas era um sonho meu juntar fé, sensibilidade e razão.". A instalação, que fica até dia 23 de agosto no MAM conta ainda com um vídeo que tenta aproximar o visitante da dinâmica produtiva do artista e trilhado pela peça musical Pavane pour une infante défunte de Ravel que marca talvez a entrada do artista em sua maturidade na delicadeza da arte.

terça-feira, 7 de julho de 2009

2a Parte - Tudo sobre Di

(ao meu amor)

O corpo caiu mais rápido do que a ficha da morte de Di. A metade despedaçada da cabeça na parede escorria para o chão e a outra metade se fez de fonte. O atirador chegou bem perto e encostou os lábios no ouvido direito de Di. Surpreendentemente sussurou doces palavras. Prometo não fazer isso de novo. Obrigado por tudo. Nunca vou esquecer o tal tempo. Di olhou com confusão para o atirador. O rosto não reconhecia. Nunca ouvira aquela voz. Não fazia penumbra de idéia do que o homem falava. Ainda com a arma na mão, foi embora sem correr.

O sangue pornograficamente brotado se pos em volta de Di, que, por um instante, se olhou no espelho vermelho e foi feliz. Tentou não respirar. Um suspiro e distorceria o mais morbido e vivo dos espelhos. Não adiantou. Com a tristeza pesando cada vez mais nos pulmões, acabou não reconhecendo aquilo que refletia e , se podia esperar o socorro ou a polícia chegarem, fugiu.

As ruas desta cidade não tinham cabelo pra se agarrar. Tal multidão, como toda, se relacionava internamente pelos quase-esbarrões e essa quase-energia do não-toque virou estranho afeto quando um ombro direito brilhoso castanho e cacheado encontrou o ombro esquerdo de Di, desarranjando momentaneamente o caos.

Um Porra! rouco e grave e Di achou que lembrava daquele homem. A curta barba desenhada era quase ruiva, os cachos eram largos de cedro e as amendoas eram negras demais e muito brancas. Não tinha como negar. Se Di não sabia nem onde estava, tinha certeza pelo menos de que aquele era o primo de seu melhor amigo com o qual nunca conseguira trocar um trio de frases que formassem sentido. Aquele era Di.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

1a parte - Tudo sobre Di.

(ao meu amor)


-Di...

-Di.

-Di!

-Di, porra!!

Os olhos de Di finalmente abriram. Não sabia quem eram aquelas pessoas e nem que lugar era aquele. Aos poucos, foi reconhecendo o grande M amarelo que conjuga fast food e os longos cílios de Di, uma jovem que também trabalhava no escritório. Recuperava-se devagar. O cheiro de gordura e desinfetante característico desse tipo de ambiente tiraria de qualquer um a vontade de voltar à consciência.

Di não lembrava por que estava no ali, só lembrava que interrompera seu trabalho pois tinha algo importantíssimo a fazer na catedral. Por que Di lhe acompanhava? Sua relação não era das de maior intimidade e, sinceramente, sempre achou Di fútil, fresca, careta e católica demais. Católica! Será que é por isso que Di me acompanha? Mas eu fui à catedral? Di nunca teria essas respostas. Ainda do chão, viu as pessoas correndo em stop motion, as batatas voando em luta contra a gravidade e a cabeça de Di explodir com um tiro
.
que parou o mundo por um instante.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ao povo do Resort

ao meu amor



Oh! Santo povo do Resort
Tão já sem culpa
E tão culpado sem saber
......................Sem se culpar

Oh! Nobre povo do Resort
Tanto tesouro
Tanta fartura

Inebriado povo pelo champanhe mais rosé
Alimentado povo pela comida tão surgida no prato

Enquanto dormem
Em suas madrugadas que relampejam em Phillips mega master HD 14900 light-plus
(por míseros três mil sacos de feijão na loja mais iluminada do Shopping Recife)
Eu canto aqui fora
Com caules cocos copas coqueiros
E vejo
- acredite! –
Yemanjá ondular a trazer uma negra
Afrodite
Em uma grande concha de ardósia.

Oh! Seleto povo do Resort
Enquanto dormem
Eu, Yemanjá, Afrodite
Sambando
Temos a lua cheia dentro dos olhos
E gargalhamos com as brilhantes Três Marias.

Mas quando o Astro Rei se impuser
E acordarem vocês
Não será por sua fartura, felicidade, Phillips ou falta de fé
Que choraremos.
A terrena e arenosa lágrima nos escorrerá
Por, à luz, vermos
A camareira culpada, o garçom que tem fome, o recepcionista doente e mal assistido.

Choraremos.
O mesmo vento que seca o sertão secará nossas já secas finas gotas.

E na madrugada do
Amanhã
Estaremos ainda aqui
Eu, Yê, a nêga-Afro-dite, as 3 Marias, a Lua,a camareira Jurema, o garçom Iran, o recepcionista Júlio.
Mas vocês, sorrindo largo em seus fantásticos sonhos de resort
Não verão do nosso mar surgir
Nosso Grande Samba.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Cienciarte

ao meu amor


Pense Ciência.
"É pesquisar para"
"desenvolver para"
"fazer para"
"X".
Nã, nã, nã..
A ciência de Galileu
Não tem como variável
..................Incógnita
..................Objeto
O X chamado
Situação comercial
......................Izável
......................Izante.


Pense Arte.
"É linguagemizar para"
"esteticizar para"
"fazer para"
"X".
Nã, nã, nã..
A arte de Hélio
Não tem como variável
..................Incógnita
..................Objeto
O X chamado
Situação comercial
......................Izável
......................Izante.


Pense que atrás das exatas
Sempre haverá um humano.
E que a ciência verdadeira
Tem no tubo de ensaio
O homem.


Pense que na outra ponta do pincel
Estará sempre um humano.
E que a arte verdadeira
Tem na mente um ensaio
Sobre o homem.


A mestria
A rede
A inovação
As referencias
O mito louco:
Cientista Louco
Artista Louco
............Loucos por querem que o homem
...............................................(imerso no utilitarismo no capital)]
....................................................veja que temos de viver não para silenciar]
....................................................Mas para cienciar(t)
....................................................Cienciar-te
Cienciarte


Vivamos pela cura
Pesquisa, linguagem, desenvolvimento, estética, fatos
Tudo pela cura.
Vivamos pela cura
Cienciarte pela cura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só o Céu

ao meu amor

Eu nasci quando o todo olhou pro meio do todo e me pôs

do meio do nada

...em dois seios que não eram ainda familiares

em um seio familiar.

Eu vim do céu

...Não importa se do meu céu, se do seu céu, como reflexo de dois céus

da boca.

Vim do céu.

E em daqui

...dessa grande Nova Iorque que é o mundo

eu quero o céu.

...(não quero o seu, não quero o meu, quero o céu)

Só no céu eu não Amo Muito Tudo Isso

Só no céu O Desafio não É A Nossa Energia

Só não céu não há ordens de “Just do it”s.

Eu quero esse céu

Eu quero esse céu azul

...como se quisesse voltar aos céus de que vim

Aos céus onde não há Deus

...onde não há anjos

Aos salivados céus de línguas, de linguagem, de liberdade

...e do silêncio.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Koyaanisqatsi - que tempos são esses?

ao meu amor, sempre

Pelo fato de tudo poder inspirar, de eu ainda poder respirar e de eu não resistir.

(Poesia inspirada em "Koyaanisqats!": um filme que dizem ser documentário dirigido por Godfrey Reggio com música maravilhosa de Philip Glass. Não há fala, não há entrevista, não há narração. Só há música e imagens. Imagens demoradas de longos penhascos e rios e montanhas e uma fábrica e um porto e mais penhascos e campos e montanhas. Koyaanisqatsi vem de uma língua indígena, Hopi, e significa Vida Louca, Vida alterada ou algo do tipo.)


(Esse blog é péssimo e não dá pra editar como quero. De qualquer modo, a 1a estrofe é alinhada à esquerda e o 2o à direita, o 3o à esquerda e assim por diante.)


Koyaanisqats!


A câmera que faz mover pedras que não se movem
O som que faz mover a câmera que não se move
O tempo que faz mover o pensamento que não se move
A luz e a sombra que movem o que não se move

A busca por referências. A ausência de referências
Não ha subjeto. O objeto/face não esconde o explícito subjeto/essência
Curiosidade do Faber
Curiosidade do conceito
Curiosidade o objeto
Como, porque, o que

Homem no meio. Homem move o meio. Homem cria o meio.
Homem é meio que cria meio que move meio que não é homem.

Todo fogo deixa cinzas
Meio é meio que move o homem que moveu o meio.
Arranhamos o céu que nos move
É progresso arranhar o céu assim?
..............................o meio assim?

Nos movendo movemos o meio que criamos
A estrada era reta antes de darmos as curvas

Movemos o meio para viver melhor
Criamos o meio para viver melhor
Carros, aviões, estradas para viver melhor
O meio que vivemos
O meio que criamos
O modo que movemos e criamos
Deu guerra
Deu morte

Viver melhor?

(o tempo o torna insuportável)
Somos originais como salsichas enlatadas emboladas

Tudo isso e rimos
Entretenimento sem sentido
...............que nos move para rir e ter prazer
...............sem saber por que e pelo que somos movidos

Que tempo é esse em que falar sobre árvores é um crime?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E Ele Se Foi

ao meu amor

(Quem canta um conto, conta com quanto? É só um conto das antigas pra reanimar.)

E ele se foi. Não que ele quisesse. Eu também não queria. Mas chegou sua hora de partir. Depois de me mostrar como se deve viver, depois de ensinar ao mundo que se pode ser feliz independente de qualquer coisa; missão completa; ele se foi feliz.
Eu o conheci antes de ele ter esse espírito falador. Por confiar muito em mim, logo se tornou muito dependente. E eu era dependente da dependência dele! E foi assim pelos 10 15 anos que seguiram nosso primeiro olhar. Depois, ele decidiu criar asas, ganhar novos ares. Mas nunca perdemos esse laço que nos ligava. Ele sempre com novas amizades, novas paixõesinhas, novos ambientes, novos gostos. Mas nossa relação nunca se perdeu.
23 anos juntos e ele sempre feliz. Um dia, ele começou a sofre muito. Eram muitas provações juntas: em um dos dias mais triste da vida, seu pai morreu; foi traído por uma tal mocinha que ele se encontrava havia 6 anos; seu melhor amigo foi pra Oceania cuidar de uma ONG de eco-loucos. Nada estava dando certo pra ele.
Como eu sofria em vê-lo assim..
Mas um dia, os castanhos olhinhos tristes secos e caídos deram lugar ao sorriso brilhante que eu tanto gostava. De inicio, me preocupei: “será que está se alienando pós-traumas? Será que está enlouquecendo?”. Logo percebi meu erro. Ele estava mais antenado do que nunca.
Contradizendo seu discurso ateísta, dizia pra mim que a morte do Pai era “a passagem pra um lugar melhor”. A traição da outra era “um alerta do destino pra acordar da paixão louca e ver que não era pra ele estar com ela”. A viagem do amigo tinha boa causa: alias, “o que seria do mundo sem os marsupiais?”.
Ele dizia essas coisas com aquele seu olhar de menino feliz: inseguro, inconseqüente, alegre, carente e pleno de utopias bobas.
Ele decidiu então ajudar os outros com esse seu novo modo de viver a vida. Visitava asilos, orfanatos, hospitais, creches, falava com moradores de rua, etc.. Fez todos verem o mundo pelo seu modo mais feliz. Sua felicidade se baseava na felicidade de quem ele ajudava.
Há 2 meses, ele começou a adoecer. Com causa desconhecida, ele , que tinha um corpo maravilhoso, iniciou um processo de emagrecimento intenso. Seus movimentos foram ficando mais fracos, lentos, custosos.
Nessa ultima semana, ele piorou muito. E só eu sabia daquele estado em que ele se encontrava. O mundo estava feliz como ele o havia deixado. Só eu sofria essa tristeza. Com ele, morreria minha felicidade.
Ontem, ele dormia e eu chorava muito imaginando sua morte, seu enterro, eu sem ele. Ele abriu os olhos e perguntou “Porque está chorando?”. Eu respondi que era pelo medo de sua morte e ele respondeu que aquela era a passagem dele, o momento dele e que o mundo prosseguiria sem ele. Pediu pra eu continuar minha vida e sua missão.
Eu ri e fiquei orgulhosa por ele se preocupar comigo e com todos mesmo nos seus últimos momentos. Garanti-lhe que estava feliz. Realmente estava! E, então, ele suspirou, olhou pra mim e sorriu como quem dissesse “Até mais, mãe...”

sábado, 10 de maio de 2008

E Nietzsche Neles!

ao meu amor


ZARA

Eu afirmo não.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo não há homem.
Eu afirmo o fim do homem.
Eu afirmo sim.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo só há homem.
Eu afirmo início do homem.

O Grande
O Livre
O Criante
........como criador criatura
........como criatura criadora

Eu
..Não como esse passado
..Não como alguma História
Será que EU é alguma História?
(Não!)
Não questiono!
Eu afirmo.
Zara!
Afirmo
Confie..
Afirmo
......e só afirmo
......e só Eu afirmo...

Eu afirmo não.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo não há homem.
Eu afirmo o fim do homem.
Eu afirmo sim.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo só há homem.
Eu afirmo início do homem.

Qlqchose sobre Amor

ao meu amor

Quando eu era bem pequeno, aprendi na escola "as raças". (Que absurdo ensinarem às crianças que as pessoas são divididas em raças! As crianças não nascem se agregando ou segregando pela cor da pele.) Então, eu, Bernardo Mosqueira, chego em casa e digo "eu sou mulato".. Filho de pai branco com mãe branca com 7 bisavós europeus e uma bisavó cabocla do norte de Minas, tive as respostas mais agressivas, chocantes, violentas e inexplicáveis a uma criança de 5 6 anos. Lembro perfeitamente de estar sentado quietinho em frente a um quadro do Véu de Verônica na sala de minha avó e essa, que sempre foi o maior amor, se exaltou pela primeira vez: "Você não é mulato! Você é branco! Sua família é de brancos! Não deixe ninguém dizer que você é nada além de branco!"
Bom. Eu cresço, continuo amando e convivendo com meus avós e pais brancos, mas a cada dia que passa eu quero cada vez mais ser mais mulato mestiço misturado café-com-leite pardo do que branco. A cada dia que passa eu quero cada vez mais ser mais Humano do que branco.

Desform-Ode ao Amor III

ao meu amor
e ao meu amor


De dois


Desproblematizado
O Amor não seria mais.
Sem os olhares incompreensíveis
Entre os olhares magicamente compreendidos,
Sem alguns mais pesados nãos
Depois e antes de todos os livres sins,
Sem os dias de sobrancelha elevada
Entre os dias de testa lisissíma,
Qual seria?

Desencantado
Teria sido o Amor então
Desassimilado de toda ética
Absolvido por cada minúcia
Onde o fio da métrica
Seria perdido na sanha
Assim seria?

Desclassificado
Não seria Amor de certo.
Sem pálpebras fechadas
Em beijos escancarados,
Sem os êxtases trêmulos
Nos momentos de firme eternidade,
Sem o desfile do corpo nu
Na mostra de toda sua indumentária,
Que seria?
Amável
Seria então o tal amor
Se sempre reconhecidos
Fossemos em nossas importâncias.
Se em perguntas e curiosidades e subjetividades
Não fossemos sempre
Certos
Loucos
(impotentes quanto a isso)
E marcados para a exclusão.
Será que seria mais amável o amor?

Ou será que poderia ser mais amável?

Lúdico
Sendo então talvez
Menos real do que desejado
Por demais inventivo quando se soubesse
Que dele em grandeza não caberia em si
E mesmo fosse mínimo
Luta inversa
Blefe
Já estaria no mármore,
Incondicional e fluido
...
E seria tudo
Que ali ficasse...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Pause du Caffé III ("Outra Desform-Ode ao Amor")

ao meu amor

[Poesia pra começar o ano bem.]
(Os muitos pontos servem só pra fazer a diagramaçao do poema na pagina. Esse site nao aceita mais de 3 espaços seguidos..)


Bom Dia

Bom Dia
(em tom de desejo urgente
...............esperança
...............acreditar
...............achar que vai
...........................(vai do ir ser, de fatos, de acontecer))
Bom dia
Levanta dessa cama
E, como deveria ser todos os dias,
proposita Amar.
Ama.
Aceita
O erro, a pobreza, a ignorancia.
Levanta e proposita Amar.
Aprenda, receba, descubra
Que Amar nao é palavra.
(''Palavra é casca'' disse Lahiri Mahasaya.)
eu te amo não é Amar.
Bom dia
Acredita
Levanta
Proposita
Aprende
E comece só o que vale.
Viva sob o signo do que é teu
E
Viva,
Vivencie o Amor
Vivencie o Amor
Vivencie o Amor
Vivencie
o
Amor.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

1a Grande Não-Ode Ode Surrealista ao Amor

ao meu amor

[Eis outro texto antigo(porém atualissimo) que está sendo postado para não se perder no tempo.
Por Amor às palavras e ao Amor.]

"Vômito de palavras no melhor estilo surrealista. Sem introdução, sem ordem, sem nada.1o Texto de B Mosqueira a B.R. :
-Tudo Passaráda:
A melhor definição de "ver passarinho verde": É, ao avistar as asas de um anjinho, extasiar-se do que passarinha e sua rolinha.
(não resisti: Alegria é quebrar muitos ovos. Felicidade é nascer um pinto.
(sem contexto, mas veio bonito.)
Só se escreve sobre paixão quando se está apaixonado. Sorte -muita sorte- dos poetas mortos. E vivo.
-Paixão:
Paixão é sentir seu peso em cima de mim. Sentir cada detalhe, cada estrutura; é sentir seu peso sobre mim, deformando a minha alma.
Paixão é sentir a pele queimar de frio no incêndio entre o infinito e o infinito.
Paixão é sentir no rosto o vento trancendente da revoada de cupidos assustados com meu gozo.
Paixão é sentir arder nos olhos o brilho úmido e fumegante que só mártires e apaixoandos.
Paixão é sentir poder ser o maior dos deuses, mas, por bruto puro amor à humanidade (e à divindade) continuar sendo apenas o maior dos humanos.
Paixão é sentir no Éter interno a euforia só digna da esperança do Amor eterno.
Paixão é sentir os dedos serem sem sentido se não te sentem.
Paixão é sentir-se batizado na Igreja da Primeira Pessoa do Plural a cada pingo de suor que cai no rosto.
Paixão é sentir que não se deve acreditar em conceitos burgueses, inventados, irreais e selvagens, como a "semana que vem", o "amanhã", o "daqui a pouco", o "depois".
Paixão é sentir, a cada beijo, desabrochar na cabeça uma orquídea(das maiores e mais púrpuras); E, depois de uma noite eterna, senti-las brincando, em harmonia, seu carnaval.
Paixão é sentir muito longe quando longe e muito dentro quando perto.
Paixão é não sentir a hora de cessar um monotema.
Paixão é sentir necessidade de dividir em núvens o dinossauro cor-de-rosa que está dentro de nós. E, por isso, escrevi isso tudo. Que não está bom. Mas é:
Paixão.Beijos, É teu.
B Mosqueira"

Pause-du-Caffé II

Ao meu amor

[Pause du Caffé agora para um texto antigo (que nem sei se bom), mas que se perderia se não postado.

Só pelo Amor as palavras.]





Re-Flicts ou A Des-Essência

A confusão nasce no mundo real da mente como um pequeno rato no mundo da ilusão material. Rápido. E facilmente.
E assim aconteceu. Dormi e sonhei com cores. Sem formas e até mesmo sem cores! Apenas com conceitos de cores.
Pronto. Já se foi a gestação.
Acordei, e o vazio de emoção frígido no qual minha cabeça havia dormido se preencheu: parte pela dor que latejava e parte por devaneios saborosos de cores/não-cores/conceitos-de-cores.
E, entre longas piscadas de quem acordou há 2 minutos e grandes goles de um super-doce café com leite, eu me afundava no bizarro arco-íris mental e acreditava cada vez mais que somos seres sós. Em sociedade. Mas sós. Mais do que sós: Seres Únicos. Diferentes.
Crescemos com a idéia de que somos iguais. De que tudo para nós é para próximo igual. Que todos têm mamãe e papai. Que todos têm 2 olhos, 2 ouvidos, boca, nariz etc. Enfim, crescemos acreditando que existe um padrão super-estável que nos é essencial, que nos une. E faz parte desse padrão, dessa definição de "essência humana", o fato de que temos 5 sentidos e de que todos os percebemos da mesma forma.

Dessa maneira, todos veríamos, do mesmo modo, o Vermelho vermelho, o Azul azul, o Verde verde e o Rosa rosa.
Mas é loucura! Quem disse que o meu Vermelho é o seu vermelho? Vermelho é a cor do tomate, da maça, do coração, do Mcdonald's! Mas quem disse que o Meu Vermelho é o mesmo Seu Vermelho? O Meu pode ser Verde! Ou até mesmo o Flicts de Ziraldo! Eu aprendi que o nome do que vejo flicts(como morango, sangue, cereja) é vermelho, mas eu os vejo Flicts! Eu afirmo: o Meu Vermelho é Flicts. E como me provaria o contrario?
E, pior! Sob o mesmo raciocínio, o meu limão é salgado e meu açúcar é azedo! Aliás(!!!), sob o mesmo raciocínio, um sabor pode me ser amarelo, um som áspero, uma textura grave, uma cor macia. Posso VER o gosto do que comes. Posso ESCUTAR o quadro que vês.
(...)
-
(...)
O dia passou e eu louco: divagando na recém-nascida confusão e mal escrevendo mal os 8 parágrafos que cheiras nessa pagina.
E, então, entre duros goles de cerveja quente e longas piscadas de quem vai dormir em 2 minutos, percebo que de tão diferentes, de tão perdidos, de tão sós em nossas loucuras, somos iguais. Seres Humanos: Essencialmente iguais por potencial diferente essência.

1o Conto Não-Ode Ode ao Amor

Ao meu amor

Sentado no quarto escuro.
Iluminado pela única fraca luminária do ambiente que pende do teto sobre a mesa. Ele de costas pra porta fechada. No lado de fora, tiros. Tiros, tiros e mais tiros. A guerra consome tudo. E a guerra era por ele. Ele era o alvo de toda essa gente enlouquecida.
Na penumbra do canto, Dinah Washington e Dexter Gordon se revezam entre "Blue gardenia"s e "But not for me"s. Lá fora, bombas de nêutrons, gás mostarda, grito, choro.
Sentado no quarto escuro.
Seus olhos fitavam o papel. Ele lia. Ele tinha de ler! Ele lia. Com rapidez, como um maquina eficiente, ele lia, Virava páginas e mais páginas, Dinah gritava, Tudo explodia, Ele anotava e virava páginas.
Horas...horas..HORAS(!) com aquele monte de papel na frente dele. Ele ainda lia, ainda escrevia. Mas agora seu ritmo diminuíra. Ele sabia bem o que acontecia. Seu sangue secava. Seu coração parava. Morria.
A música cessara. Só o som dos tiros, dos gritos, das bombas, das janelas quebrando e das portas batendo corriam pelo ar sujo que parecia rarefazer a cada segundo.
Ele tinha de ler, ele queria viver apesar de quase todo mundo, de quase toda a realidade, ir contra ele. E ele morria. O sangue virava pó, o coração um paralelepípedo maltratado de uma rua pobre. O sol de certo que não brilhava mais lá fora. O frio era insuportável.
Mas ele sabia do que precisava.
Entao levantou. Foi até o limite da luz, de modo que mal se via seu braço esticado pegando a velha carteira preta sobre a cômoda.
Sentado no quarto escuro, abriu sua carteira e, com os dedos da mão direita procurou algo lá no fundo. Encontrou. Por instantes, se fez no rosto dele uma expressão estranha de salvação e graça.
Tirou da carteira. Do pequeno objeto que cabia entre o polegar e o indicador, surgiu uma grande luz: A Grande Luz. O quarto ficou todo iluminado, o mundo ficou todo iluminado. O Universo era um grande espaço sem matéria todo branco, todo luz. Nada além dele e do objeto sob seu olhar hipnotizado. Ele respirava fundo, seu corpo quente, coração batendo gostoso. (Se ainda guerreavam, não se escutava, ele não se importava.)
Guardou.
Sentado no quarto escuro, de costas pra porta, iluminado pela mesma fraca luminária, ele lia. Lia, mas agora expunha no seu rosto o enorme, confortável, enérgico e contagiante sorriso que lhe é específico pelo sentimento ao qual o objeto lhe remete. E ele lê. Feliz, lê. E vive.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

3ª Não-Ode Ode ao Amor

Ao meu amor

Do Humor, sua origem, sua importância:
Começa-se definindo o Humor.
Humor é a capacidade estritamente pessoal de achar graça e divertimento naquilo que se faz no em torno.
Ou seja, é um poder único de encontrar graça em qualquer coisa da vida.
Graça? O que é Graça?
Graça é a essência daquilo que diverte, que inspira, que torna alegre, feliz. Vocábulo originado de um dos principais conceitos teológicos dessa nossa sociedade judaico-cristã: é o modo pelo qual Deus se revela a nós, concedendo-nos as condições de existir. É o principio sobrenatural (que depende da existência de um receptor/analista) pelo qual se participa da natureza divina.
Então, “Achar Graça” em algo é “Achar o Divino” em algo. Sabendo-se que tudo, independente do que seja, tem a tal “Essência Divina”, é possível achar Graça em qualquer coisa!
Questão de costume e prática, exercício.
E as bases dessa idéia não são tão novas assim. No glorioso Século de Péricles, Platão(”revisto” por Plotino) tinha como principal estrutura de sua Filosofia o conceito do “Mundo das Idéias”. Este seria como um grande conjunto dos conceitos perfeitos. Lá estariam a mesa perfeita, a caneta perfeita, o papel perfeito, o cachorro perfeito, etc. O Bem(indescritível e única vivência mista de paz, prazer, felicidade, alegria e mais) é alcançado ao tangenciar o tal “Mundo das Idéias”: ao apreciar o belo(pois o belo é a aproximação ao perfeito). O belo pode ser uma boa música, um bonito afresco, uma linda escultura, uma boa peça de teatro ou até mesmo um belo corpo.
E é exatamente isso o Humor: gozar-se Bem por perceber a graciosidade (a essência divina) nas coisas.
...
E não é isso o Amar?

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Pause-du-caffé

ao meu amor

[Pausa nas Não-Odes Odes.
Franceses chamariam isso de "pause-du-caffé".
(franceses relacionam tudo ao tal caffé..)
Pause-du-caffé para uma poesia.
Poesia sim.
Porque (quase) ninguem é de ferro..]


Ninho

Oi
Nos chegamos
Um beijo
Hum
O tempo pára.
O tempo voa...
E os pássaros que parados
E os pássaros que calados
Agora voam
Agora cantam
E voando cantam
E cantando voam
Com as penosas almas
Com sua mais pura natureza...
Eles cantam...
E eles voam...
como nunca antes
Como nunca mais...
E nos encantam
Nos sobrevoam
Como se nada tivesse a ver
Como se nada houvesse a fazer
Se não voar
Senão cantar
Sobre nossas cabeças
Sobre o nosso amor...
E voam sobre o nosso canto de amar
E cantam sobre o nosso vôo de amar
Hum
Dá um beijo
E nos vamos
Tchau
...
...
E os pássaros que voavam
E os pássaros que cantavam
Agora parados
Agora calados
E até o tempo que parava
E até o tempo que voava
Já não pára...
Já não voa.

1ª Não-Ode Ode ao amor (2ª parte)

Ao meu amor

De Deus, Sua Existência, nossa essência:
Em sua obra-prima, a “Suma Teológica”, Tomás de Aquino (ele, mais uma vez) se utilizou de 5 demonstrações a priori para provar a existência de Deus. Na 1ª e mais simples e famosa delas, ele diz “algumas coisas se movem (...) tudo que se move é movido por outro (...) é necessário um primeiro motor, não movido por nenhum outro; e é precisamente este que todos entendem como Deus”.
Mesmo acreditando muito na minha mediocridade perante o santo e gênio Tomás (o que teoricamente teria de me dar humildade e consciência suficientes para não ter a presunção de poder criticar alguma mínima vírgula do trabalho dele), achei um “errinho” nesse trecho dele: não são “algumas” coisas que se movem; TODAS as coisas estão em movimento. E Podemos comprovar isso de duas formas: cosmologicamente (alegando que todas as coisas estão em movimento em relação ao Universo), ou quimicamente (alegando que os átomos que tudo compõem só estão completamente parados na temperatura de Zero Kelvin, nunca presenciada). Então, TODOS temos como origem o tal Motor Imóvel.
Pronto. Eis a prova da existência de uma origem comum a todos através da lógica.
Podemos provar por outro método não-falacioso muito conhecido da filosofia e da teoria cientifica: a analogia de proporcionalidade.
Sabe-se que o átomo é formado por quarks(ou, segundo os mais modernos, supercordas) e que todas essas pequenas partes têm como origem a mesma bola louca de massa concentrada(ou, segundo os mais modernos, o mesmo choque de giga membranas “paralelas” universais). Desse modo, todos os quarks(ou supercordas) e, por conseqüência, todos os átomos têm a mesma essência. Então, como tudo(que de fato é) é formado de átomos, tudo tem a mesma essência. Humanos, não-humanos, vivos e não-vivos, todos somos portadores da mesma essência.
Certo?
Falta agora saber de que não-material é feito esse Motor.