sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Pause-du-caffé

ao meu amor

[Pausa nas Não-Odes Odes.
Franceses chamariam isso de "pause-du-caffé".
(franceses relacionam tudo ao tal caffé..)
Pause-du-caffé para uma poesia.
Poesia sim.
Porque (quase) ninguem é de ferro..]


Ninho

Oi
Nos chegamos
Um beijo
Hum
O tempo pára.
O tempo voa...
E os pássaros que parados
E os pássaros que calados
Agora voam
Agora cantam
E voando cantam
E cantando voam
Com as penosas almas
Com sua mais pura natureza...
Eles cantam...
E eles voam...
como nunca antes
Como nunca mais...
E nos encantam
Nos sobrevoam
Como se nada tivesse a ver
Como se nada houvesse a fazer
Se não voar
Senão cantar
Sobre nossas cabeças
Sobre o nosso amor...
E voam sobre o nosso canto de amar
E cantam sobre o nosso vôo de amar
Hum
Dá um beijo
E nos vamos
Tchau
...
...
E os pássaros que voavam
E os pássaros que cantavam
Agora parados
Agora calados
E até o tempo que parava
E até o tempo que voava
Já não pára...
Já não voa.

1ª Não-Ode Ode ao amor (2ª parte)

Ao meu amor

De Deus, Sua Existência, nossa essência:
Em sua obra-prima, a “Suma Teológica”, Tomás de Aquino (ele, mais uma vez) se utilizou de 5 demonstrações a priori para provar a existência de Deus. Na 1ª e mais simples e famosa delas, ele diz “algumas coisas se movem (...) tudo que se move é movido por outro (...) é necessário um primeiro motor, não movido por nenhum outro; e é precisamente este que todos entendem como Deus”.
Mesmo acreditando muito na minha mediocridade perante o santo e gênio Tomás (o que teoricamente teria de me dar humildade e consciência suficientes para não ter a presunção de poder criticar alguma mínima vírgula do trabalho dele), achei um “errinho” nesse trecho dele: não são “algumas” coisas que se movem; TODAS as coisas estão em movimento. E Podemos comprovar isso de duas formas: cosmologicamente (alegando que todas as coisas estão em movimento em relação ao Universo), ou quimicamente (alegando que os átomos que tudo compõem só estão completamente parados na temperatura de Zero Kelvin, nunca presenciada). Então, TODOS temos como origem o tal Motor Imóvel.
Pronto. Eis a prova da existência de uma origem comum a todos através da lógica.
Podemos provar por outro método não-falacioso muito conhecido da filosofia e da teoria cientifica: a analogia de proporcionalidade.
Sabe-se que o átomo é formado por quarks(ou, segundo os mais modernos, supercordas) e que todas essas pequenas partes têm como origem a mesma bola louca de massa concentrada(ou, segundo os mais modernos, o mesmo choque de giga membranas “paralelas” universais). Desse modo, todos os quarks(ou supercordas) e, por conseqüência, todos os átomos têm a mesma essência. Então, como tudo(que de fato é) é formado de átomos, tudo tem a mesma essência. Humanos, não-humanos, vivos e não-vivos, todos somos portadores da mesma essência.
Certo?
Falta agora saber de que não-material é feito esse Motor.