sábado, 10 de maio de 2008

E Nietzsche Neles!

ao meu amor


ZARA

Eu afirmo não.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo não há homem.
Eu afirmo o fim do homem.
Eu afirmo sim.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo só há homem.
Eu afirmo início do homem.

O Grande
O Livre
O Criante
........como criador criatura
........como criatura criadora

Eu
..Não como esse passado
..Não como alguma História
Será que EU é alguma História?
(Não!)
Não questiono!
Eu afirmo.
Zara!
Afirmo
Confie..
Afirmo
......e só afirmo
......e só Eu afirmo...

Eu afirmo não.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo não há homem.
Eu afirmo o fim do homem.
Eu afirmo sim.
Eu afirmo será tudo verde.
Eu afirmo só há homem.
Eu afirmo início do homem.

Qlqchose sobre Amor

ao meu amor

Quando eu era bem pequeno, aprendi na escola "as raças". (Que absurdo ensinarem às crianças que as pessoas são divididas em raças! As crianças não nascem se agregando ou segregando pela cor da pele.) Então, eu, Bernardo Mosqueira, chego em casa e digo "eu sou mulato".. Filho de pai branco com mãe branca com 7 bisavós europeus e uma bisavó cabocla do norte de Minas, tive as respostas mais agressivas, chocantes, violentas e inexplicáveis a uma criança de 5 6 anos. Lembro perfeitamente de estar sentado quietinho em frente a um quadro do Véu de Verônica na sala de minha avó e essa, que sempre foi o maior amor, se exaltou pela primeira vez: "Você não é mulato! Você é branco! Sua família é de brancos! Não deixe ninguém dizer que você é nada além de branco!"
Bom. Eu cresço, continuo amando e convivendo com meus avós e pais brancos, mas a cada dia que passa eu quero cada vez mais ser mais mulato mestiço misturado café-com-leite pardo do que branco. A cada dia que passa eu quero cada vez mais ser mais Humano do que branco.

Desform-Ode ao Amor III

ao meu amor
e ao meu amor


De dois


Desproblematizado
O Amor não seria mais.
Sem os olhares incompreensíveis
Entre os olhares magicamente compreendidos,
Sem alguns mais pesados nãos
Depois e antes de todos os livres sins,
Sem os dias de sobrancelha elevada
Entre os dias de testa lisissíma,
Qual seria?

Desencantado
Teria sido o Amor então
Desassimilado de toda ética
Absolvido por cada minúcia
Onde o fio da métrica
Seria perdido na sanha
Assim seria?

Desclassificado
Não seria Amor de certo.
Sem pálpebras fechadas
Em beijos escancarados,
Sem os êxtases trêmulos
Nos momentos de firme eternidade,
Sem o desfile do corpo nu
Na mostra de toda sua indumentária,
Que seria?
Amável
Seria então o tal amor
Se sempre reconhecidos
Fossemos em nossas importâncias.
Se em perguntas e curiosidades e subjetividades
Não fossemos sempre
Certos
Loucos
(impotentes quanto a isso)
E marcados para a exclusão.
Será que seria mais amável o amor?

Ou será que poderia ser mais amável?

Lúdico
Sendo então talvez
Menos real do que desejado
Por demais inventivo quando se soubesse
Que dele em grandeza não caberia em si
E mesmo fosse mínimo
Luta inversa
Blefe
Já estaria no mármore,
Incondicional e fluido
...
E seria tudo
Que ali ficasse...