quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

1a Grande Não-Ode Ode Surrealista ao Amor

ao meu amor

[Eis outro texto antigo(porém atualissimo) que está sendo postado para não se perder no tempo.
Por Amor às palavras e ao Amor.]

"Vômito de palavras no melhor estilo surrealista. Sem introdução, sem ordem, sem nada.1o Texto de B Mosqueira a B.R. :
-Tudo Passaráda:
A melhor definição de "ver passarinho verde": É, ao avistar as asas de um anjinho, extasiar-se do que passarinha e sua rolinha.
(não resisti: Alegria é quebrar muitos ovos. Felicidade é nascer um pinto.
(sem contexto, mas veio bonito.)
Só se escreve sobre paixão quando se está apaixonado. Sorte -muita sorte- dos poetas mortos. E vivo.
-Paixão:
Paixão é sentir seu peso em cima de mim. Sentir cada detalhe, cada estrutura; é sentir seu peso sobre mim, deformando a minha alma.
Paixão é sentir a pele queimar de frio no incêndio entre o infinito e o infinito.
Paixão é sentir no rosto o vento trancendente da revoada de cupidos assustados com meu gozo.
Paixão é sentir arder nos olhos o brilho úmido e fumegante que só mártires e apaixoandos.
Paixão é sentir poder ser o maior dos deuses, mas, por bruto puro amor à humanidade (e à divindade) continuar sendo apenas o maior dos humanos.
Paixão é sentir no Éter interno a euforia só digna da esperança do Amor eterno.
Paixão é sentir os dedos serem sem sentido se não te sentem.
Paixão é sentir-se batizado na Igreja da Primeira Pessoa do Plural a cada pingo de suor que cai no rosto.
Paixão é sentir que não se deve acreditar em conceitos burgueses, inventados, irreais e selvagens, como a "semana que vem", o "amanhã", o "daqui a pouco", o "depois".
Paixão é sentir, a cada beijo, desabrochar na cabeça uma orquídea(das maiores e mais púrpuras); E, depois de uma noite eterna, senti-las brincando, em harmonia, seu carnaval.
Paixão é sentir muito longe quando longe e muito dentro quando perto.
Paixão é não sentir a hora de cessar um monotema.
Paixão é sentir necessidade de dividir em núvens o dinossauro cor-de-rosa que está dentro de nós. E, por isso, escrevi isso tudo. Que não está bom. Mas é:
Paixão.Beijos, É teu.
B Mosqueira"

Pause-du-Caffé II

Ao meu amor

[Pause du Caffé agora para um texto antigo (que nem sei se bom), mas que se perderia se não postado.

Só pelo Amor as palavras.]





Re-Flicts ou A Des-Essência

A confusão nasce no mundo real da mente como um pequeno rato no mundo da ilusão material. Rápido. E facilmente.
E assim aconteceu. Dormi e sonhei com cores. Sem formas e até mesmo sem cores! Apenas com conceitos de cores.
Pronto. Já se foi a gestação.
Acordei, e o vazio de emoção frígido no qual minha cabeça havia dormido se preencheu: parte pela dor que latejava e parte por devaneios saborosos de cores/não-cores/conceitos-de-cores.
E, entre longas piscadas de quem acordou há 2 minutos e grandes goles de um super-doce café com leite, eu me afundava no bizarro arco-íris mental e acreditava cada vez mais que somos seres sós. Em sociedade. Mas sós. Mais do que sós: Seres Únicos. Diferentes.
Crescemos com a idéia de que somos iguais. De que tudo para nós é para próximo igual. Que todos têm mamãe e papai. Que todos têm 2 olhos, 2 ouvidos, boca, nariz etc. Enfim, crescemos acreditando que existe um padrão super-estável que nos é essencial, que nos une. E faz parte desse padrão, dessa definição de "essência humana", o fato de que temos 5 sentidos e de que todos os percebemos da mesma forma.

Dessa maneira, todos veríamos, do mesmo modo, o Vermelho vermelho, o Azul azul, o Verde verde e o Rosa rosa.
Mas é loucura! Quem disse que o meu Vermelho é o seu vermelho? Vermelho é a cor do tomate, da maça, do coração, do Mcdonald's! Mas quem disse que o Meu Vermelho é o mesmo Seu Vermelho? O Meu pode ser Verde! Ou até mesmo o Flicts de Ziraldo! Eu aprendi que o nome do que vejo flicts(como morango, sangue, cereja) é vermelho, mas eu os vejo Flicts! Eu afirmo: o Meu Vermelho é Flicts. E como me provaria o contrario?
E, pior! Sob o mesmo raciocínio, o meu limão é salgado e meu açúcar é azedo! Aliás(!!!), sob o mesmo raciocínio, um sabor pode me ser amarelo, um som áspero, uma textura grave, uma cor macia. Posso VER o gosto do que comes. Posso ESCUTAR o quadro que vês.
(...)
-
(...)
O dia passou e eu louco: divagando na recém-nascida confusão e mal escrevendo mal os 8 parágrafos que cheiras nessa pagina.
E, então, entre duros goles de cerveja quente e longas piscadas de quem vai dormir em 2 minutos, percebo que de tão diferentes, de tão perdidos, de tão sós em nossas loucuras, somos iguais. Seres Humanos: Essencialmente iguais por potencial diferente essência.

1o Conto Não-Ode Ode ao Amor

Ao meu amor

Sentado no quarto escuro.
Iluminado pela única fraca luminária do ambiente que pende do teto sobre a mesa. Ele de costas pra porta fechada. No lado de fora, tiros. Tiros, tiros e mais tiros. A guerra consome tudo. E a guerra era por ele. Ele era o alvo de toda essa gente enlouquecida.
Na penumbra do canto, Dinah Washington e Dexter Gordon se revezam entre "Blue gardenia"s e "But not for me"s. Lá fora, bombas de nêutrons, gás mostarda, grito, choro.
Sentado no quarto escuro.
Seus olhos fitavam o papel. Ele lia. Ele tinha de ler! Ele lia. Com rapidez, como um maquina eficiente, ele lia, Virava páginas e mais páginas, Dinah gritava, Tudo explodia, Ele anotava e virava páginas.
Horas...horas..HORAS(!) com aquele monte de papel na frente dele. Ele ainda lia, ainda escrevia. Mas agora seu ritmo diminuíra. Ele sabia bem o que acontecia. Seu sangue secava. Seu coração parava. Morria.
A música cessara. Só o som dos tiros, dos gritos, das bombas, das janelas quebrando e das portas batendo corriam pelo ar sujo que parecia rarefazer a cada segundo.
Ele tinha de ler, ele queria viver apesar de quase todo mundo, de quase toda a realidade, ir contra ele. E ele morria. O sangue virava pó, o coração um paralelepípedo maltratado de uma rua pobre. O sol de certo que não brilhava mais lá fora. O frio era insuportável.
Mas ele sabia do que precisava.
Entao levantou. Foi até o limite da luz, de modo que mal se via seu braço esticado pegando a velha carteira preta sobre a cômoda.
Sentado no quarto escuro, abriu sua carteira e, com os dedos da mão direita procurou algo lá no fundo. Encontrou. Por instantes, se fez no rosto dele uma expressão estranha de salvação e graça.
Tirou da carteira. Do pequeno objeto que cabia entre o polegar e o indicador, surgiu uma grande luz: A Grande Luz. O quarto ficou todo iluminado, o mundo ficou todo iluminado. O Universo era um grande espaço sem matéria todo branco, todo luz. Nada além dele e do objeto sob seu olhar hipnotizado. Ele respirava fundo, seu corpo quente, coração batendo gostoso. (Se ainda guerreavam, não se escutava, ele não se importava.)
Guardou.
Sentado no quarto escuro, de costas pra porta, iluminado pela mesma fraca luminária, ele lia. Lia, mas agora expunha no seu rosto o enorme, confortável, enérgico e contagiante sorriso que lhe é específico pelo sentimento ao qual o objeto lhe remete. E ele lê. Feliz, lê. E vive.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

3ª Não-Ode Ode ao Amor

Ao meu amor

Do Humor, sua origem, sua importância:
Começa-se definindo o Humor.
Humor é a capacidade estritamente pessoal de achar graça e divertimento naquilo que se faz no em torno.
Ou seja, é um poder único de encontrar graça em qualquer coisa da vida.
Graça? O que é Graça?
Graça é a essência daquilo que diverte, que inspira, que torna alegre, feliz. Vocábulo originado de um dos principais conceitos teológicos dessa nossa sociedade judaico-cristã: é o modo pelo qual Deus se revela a nós, concedendo-nos as condições de existir. É o principio sobrenatural (que depende da existência de um receptor/analista) pelo qual se participa da natureza divina.
Então, “Achar Graça” em algo é “Achar o Divino” em algo. Sabendo-se que tudo, independente do que seja, tem a tal “Essência Divina”, é possível achar Graça em qualquer coisa!
Questão de costume e prática, exercício.
E as bases dessa idéia não são tão novas assim. No glorioso Século de Péricles, Platão(”revisto” por Plotino) tinha como principal estrutura de sua Filosofia o conceito do “Mundo das Idéias”. Este seria como um grande conjunto dos conceitos perfeitos. Lá estariam a mesa perfeita, a caneta perfeita, o papel perfeito, o cachorro perfeito, etc. O Bem(indescritível e única vivência mista de paz, prazer, felicidade, alegria e mais) é alcançado ao tangenciar o tal “Mundo das Idéias”: ao apreciar o belo(pois o belo é a aproximação ao perfeito). O belo pode ser uma boa música, um bonito afresco, uma linda escultura, uma boa peça de teatro ou até mesmo um belo corpo.
E é exatamente isso o Humor: gozar-se Bem por perceber a graciosidade (a essência divina) nas coisas.
...
E não é isso o Amar?