terça-feira, 7 de julho de 2009

2a Parte - Tudo sobre Di

(ao meu amor)

O corpo caiu mais rápido do que a ficha da morte de Di. A metade despedaçada da cabeça na parede escorria para o chão e a outra metade se fez de fonte. O atirador chegou bem perto e encostou os lábios no ouvido direito de Di. Surpreendentemente sussurou doces palavras. Prometo não fazer isso de novo. Obrigado por tudo. Nunca vou esquecer o tal tempo. Di olhou com confusão para o atirador. O rosto não reconhecia. Nunca ouvira aquela voz. Não fazia penumbra de idéia do que o homem falava. Ainda com a arma na mão, foi embora sem correr.

O sangue pornograficamente brotado se pos em volta de Di, que, por um instante, se olhou no espelho vermelho e foi feliz. Tentou não respirar. Um suspiro e distorceria o mais morbido e vivo dos espelhos. Não adiantou. Com a tristeza pesando cada vez mais nos pulmões, acabou não reconhecendo aquilo que refletia e , se podia esperar o socorro ou a polícia chegarem, fugiu.

As ruas desta cidade não tinham cabelo pra se agarrar. Tal multidão, como toda, se relacionava internamente pelos quase-esbarrões e essa quase-energia do não-toque virou estranho afeto quando um ombro direito brilhoso castanho e cacheado encontrou o ombro esquerdo de Di, desarranjando momentaneamente o caos.

Um Porra! rouco e grave e Di achou que lembrava daquele homem. A curta barba desenhada era quase ruiva, os cachos eram largos de cedro e as amendoas eram negras demais e muito brancas. Não tinha como negar. Se Di não sabia nem onde estava, tinha certeza pelo menos de que aquele era o primo de seu melhor amigo com o qual nunca conseguira trocar um trio de frases que formassem sentido. Aquele era Di.

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