segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Crítica: Gilvan Nunes: Janela: o respingo entre o desejo e a escusa.

(ao meu amor)

A janela do meu quarto é pesada, e eu, que pensava em abri-la, acabava de perceber a mancha roxa em seu beiral. Não era roxo – eu bem sabia – era púrpura desejoso. Toquei a cor com os dedos e, aproximando-os ao nariz, confirmei: tinta a óleo com óleo de banana. Mas como aqui? Meus olhos percorreram o quarto na perseguição que retornava pelo rastro da cor: os dedos, o beiral, a ponta da mesa, a carteira, o celular, o bolso do jeans, a mochila. 
Tinha, pelo menos, uma colher de sopa de tinta sobre o bolso esquerdo daquela mala. 
Meia hora antes, eu chegava à minha casa, tirava a tralha das costas, esvaziava os bolsos e fechava a janela.
Seis horas antes, eu chegava à casa de Gilvan Nunes para uma tarde das nossas: de trocas, de muito trabalho e de intimidade.
Já prevendo o que poderia acontecer, logo ao chegar e entrar pela porta da cozinha de Gilvan, tomei todas as precauções devidas: tirei a mochila, troquei a calça por um “short-de-pintar”, os sapatos por chinelos e a camisa por sua ausência. Esse cheiro me pega: o forte vento que passou por van Gogh, Kandisky, Miró, Judit Reigl, Milhazes e seu mestre Berredo carrega o cheiro da pintura para atravessar Gilvan. O entregador do bar já tinha passado por lá, e eu enchia o copo antes de descer para o atelier no andar de baixo.
Durante 5 horas ou 5 vidas, falamos sobre as horas e sobre as vidas: sobre nós, sobre arte, sobre nossos trabalhos e sobre os trabalhos que ele fazia – ali, nas horas. Com alguns anos de amizade e parceria, tínhamos nossa própria dinâmica: nada de entrevistas ou conversas agendadas. Tínhamos nossas tardes: às vezes, me fazia pintar um fundo na tela; às vezes pedia para criar umas formas sobre eles; outras vezes, me fazia limpar dúzias de potes e pincéis; mas, sobretudo, ele me queria lá pra “fazer cor”. 
Quando nos conhecemos, eu era um estudante de engenharia mecânica e deverei a ele, sempre, parte importante da grande força necessária pra operar as mudanças radicais daquele tempo. Hoje, se em retrospecto, percebemos que as dinâmicas daquelas tardes de pintura (que se fazem desde então), além de terem definido a estrutura fundamental de nossa amizade, fizeram surgir ali, também, o embrião de um importante posicionamento futuro. Foi ali que percebi e pratiquei, pela primeira vez, a maneira mais fértil de acompanhamento de artista: com intimidade, processo e parceria.
Durante nossos encontros, para tudo que fazíamos, um determinado jogo permanecia como vibrante atividade paralela. Enquanto conversávamos e convivíamos, ele (ou algum amigo, familiar, assistente, passante ou vizinho) inventava o nome de uma cor em desafio: eu deveria, então, a partir de uma enorme quantidade de tubos de tinta a óleo das marcas e cores das mais diversas, materializar o tom esperado. Verde rendado, amarelo lindíssimo, cinza futuro, púrpura desejoso, azul pavão, verde estranho, cinza estranho, aquele prata, cor de carne, laranja-quase-roxo e bege estrada são exemplos de cores que fiz ou, ao menos, fui desafiado a fazer.
Fiz tanta mistura de tinta, mas tanta mistura de tinta, que, numa tarde de excesso, eu jurei que, no dia que eu fosse escrever sobre essa série, eu contaria pra todo mundo que era eu o verdadeiro fazedor de cores. Mas, pensando bem, decidi não fazê-lo para não poupar Nunes dos elogios que vem recebendo como um grande colorista.
Nenhuma das precauções que tomei ao chegar à casa de Gilvan adiantou. Barão (o amado e elegante Lorde Chanceler Vira-Lata, bandoleiro entojado e grande escudeiro parceiro de Gilvan), que assistia ao espetáculo cotidiano da pintura, lançou sua cauda canina inquieta em um canto de tela em processo e, ao voltar ao andar de cima, fez questão de lançar um petardo de cor púrpura desejoso em minha mochila no canto da cozinha.
Em meu quarto, algumas horas depois, fitando a tinta no beiral da janela e lembrando todas as cores que o couro de minha carteira já colecionava desta e de outras ocasiões, eu sorria sabendo que, de certa maneira, se cumpria um destino desejado. 
Pelas telas desta série apresentada na SIM Galeria em Setembro de 2012, são ofertados aos nossos olhos organismos vivos em fantasia. Se eles vêm de uma terra distante, se formam os diversos ecossistemas de um planeta desconhecido ou se cada trabalho recorta a vista de um mundo ou universo distinto, não nos é dado saber. Mas também não nos é impedido. A potente indefinição inicial é coerente com o modo discursivo constantemente indefinível de um artista cujas palavras vêm e vão de lugares entre verdade, fantasia, confusão, criação, mentira, miração e vontade de verdade.
O desejo que se confunde com a escusa por uma comunicação do que jamais se saberá sempre se dá em tom de desespero. Porém, Gilvan, usando a tela como espelho que aponta para onde quiser, assinala organismos independentes que parecem, sempre, se destinar ao contato ou à fusão (comunicação), optando, principalmente, pela utilização dos recursos visuais do ritmo e da esporulação.
Usando muitas camadas de tinta e diversas sequências e variações da técnica subtratora do esgrafrito, Gilvan cria formas cujas superfícies apresentam ondas de frequências das mais diversas e estruturas que explanam ornamentos sequenciais. Estes podem se assemelhar a estruturas fisiológicas reais como hifas, caules, estrias, curvas, linhas, verrugas, gametas, escamas, rugas, cílios, halos, pelos etc.. E as existência, aparência e sobreposição destes remetem, pela utilização de jogos de repetição e sobreposição para arranjos compositivos, à importante série do artista pelas quais Gilvan utilizava rolos-carimbos de padrões (feitos, originalmente, na 2ª metade do século passado, para pintura decorativa de interiores) como instrumentos construtores essenciais de suas pinturas. É recorrente, também, - como em séries de Gilvan dos anos 80/90 - os arremates ou preenchimentos com a tinta posta diretamente do tubo sobre a tela. Se é possível afirmar que pintura que estimula a percepção da pincelada quer se afirmar como pintura, o modo de construção das telas desta série desejam se afirmar coisa viva. 
Outra prática muito recente nesta série que também remete a experiências de outros momentos do artista se deu quando Gilvan começou a criar duplos bastardos de suas telas, utilizando a própria pintura fresca como matriz. De maneira semelhante, há alguns anos, o artista construía grandes carimbos a partir de recortes de borracha sobre madeira e, após cobrir a borracha com tinta, pressionava a peça sobre a superfície de grandes telas ou papéis. A repetição da ação na mesma peça tem ligação direta, ainda, com o ritmo: um dos dois principais recursos da presente série sobre a qual falamos.
Pois a segunda característica particular desta série é aquilo que chamamos, no atelier de Gilvan, por esporulações. Algumas das formas transbordam viscosas em sêmen-tinta; outras jorram seus fluidos em sempre potentes ameaçadoras delícias; outras ainda espalham suas gotas, pontos, bolinhas nos seus entornos. Os esporos parecem sempre determinados a alcançar um lugar que desconhecem: se tocarão a semente em deserto rochoso, se a nidação ocorrerá na terra da mais rica ou se encontrarão semelhantes pelo ar, não sabem nem sabemos. Mas são destinados aos acasos encontros. 
No tal espetáculo cotidiano da pintura, Gilvan pinta como quem faz música com o corpo: Alterna momentos quase silenciosos de calma e sutileza com o rosto próximo à tela e o pequeno pincel à mão canhota com surtos explosivos em que, a metros da tela, enfia, descontroladamente, pincéis gastos em potes lotados de tinta, lançando seus multicoloridos dardos oleosos sobre a pintura.
Se parecem, na tela pronta, esporos de seres vistos e desconhecidos, aqui, eles são esporos de conhecido e não visto Gilvan, que comunica assim. Respinga-se na tela no desejo desesperado e fantástico de que ela respingue, da maneira possível, no observador.
Em pé, no meu quarto, vendo o púrpura desejoso no beiral da janela, eu ri. Percebi que respingava em mim. E abri a janela. 

Crítica: Opavivará!: Da gente: Comer revolucionário!


(ao meu amor)

As buzinas dos carros, as rodinhas soltas batendo sobre paralelepípedos, as pipocas estourando e os pombos arrulhando tocavam o jingle de abertura do programa OPAVIVARÁ! AO VIVO!. O coro dos antepassados se somava ao dos camelôs para anunciar a entrada da apresentadora do programa! Marcela Carvalho, em seus habituais trajes negros, surge sorridente e saltitante. Com a mão esquerda segurando uma colher de pau como microfone, usava a direita para convidar os passantes a sentar à mesa.

Um mexicano que fazia turismo pelo Centro do Rio aceitou o chamado e se ajuntou. Suas frases começavam falando da gente, e levamos um tempo para entender que “la gente”, em espanhol, são os outros.

Aqui, em terra brasilis, “a gente’’ significa nós. A gente é nós. A gente é parte da gente, do gentio, do povo. O povo somos nós. O povo é nóis.

A praça, que, em outros momentos, funcionou como realidade mediadora entre a sociedade civil massificada e o Estado, hoje, em tempos de multidão e hipermediação, encarna o papel de realidade mediadora interna da sociedade civil. O que surgiu na praça Tiradentes (junto às duas mesas, quatro bancos, vinte cadeiras, dez galões-fontes, três to-néis-tanques, um mural público e um forno à lenha móvel) foi um lugar de transparência, abertura e argumentação mediado por palavras e corpos: uma co-presença pública de homens livres que fez (e ainda faz) pulsar a possibilidade de ações comuns por cooperação social e comunicação política.

Alguns valores e práticas da inescrupulosa co-mercialização do privado como espetáculo em Big Brothers, Facebooks etc. são introjetados a ponto de algumas pessoas, no primeiro momento de encontro com a praça, repetirem o curtir e o comentar, desejarem o protagonismo e sentirem a necessidade de agir como o esperado ou exigido pelo espectador.

Mas, quando se percebe que, na praça, não há cotidiano falseado para os índices de popularidade, todos se tocam - e são tocados.

Na praça, somos todos o público: autores atores. Autores com paixões internas, sentir privado e verdade íntima e atores com arrebatamento externo, sentir político e aparência mundana.

Mas ainda somos capazes de definir informação e ação, e a praça não é como os espaços de interação virtual. A persistência do corpo é política. O encontro real com o outro se dá quando é possível ver o outro refletido no próprio olho refletido no olho do outro, quando o outro tem mão para cozinhar (como eu), quando eu tenho mão para cozinhar (come ele), quando nós todos temos cheiros, quando nosso sistema imunológico é comum a todos e está entre as unhas, as carnes, os legumes e as pedras portuguesas, quando somos todos tomados por uma enorme e estranha força de transformar: quando há afeto.

Só descobrimos o que somos quando descobrimos, pelo corpo no encontro com o outro, nossas capacidades de afetar e ser afetado. O indivíduo é, portanto, uma certa combinação de afetos possíveis.

Se os afetos podem ser divididos entre os afetos de alegria e os afetos de tristeza, os primeiros são ligados a estados de atividade e transformação, enquanto os últimos ligados a estados de passividade e aceitação.

O bom encontro é o encontro que aumenta nossa força de existir, nossa vontade de vida, nossa potência de agir, nossa alegria, que nos leva de estados de pura paixão para estados de ação.

O valor da força de trabalho, hoje em dia, está em um não-lugar que impossibilita referências de medição (nem mesmo monetária). As inquietações oriundas das discrepâncias e sensações de injustiça nos fazem questionar as relações e percursos entre afeto e valor. Se entendemos afeto como potência de agir, passamos a entende-lo como potência de apropriação, ressignificação, transformação, liberdade e força de autovalorização. A economia política, portanto, se lança na busca por parâmetros de (impossível) medida do valor de trabalho e esbarra nas trocas comerciais e relações de comunicação como as importantes bases dos vínculos produtivos. Conclui-se, em uma importante revolução conceitual, que “valor de uso” não é medida válida e que o valor, em si, surge em sua relação com o afeto. Portanto, se controlar os afetos e suas potências é controlar a valoração, a insurgência (ou insurreição) afetiva se mostra como o grande cami-nho para a revolução. Entender e atuar sobre as dinâmicas comunicacionais de maneira a estimular afetos de alegria (e lutar contra os afetos de tristeza desejados pelos detentores do poder), portanto, se tornaram práticas revolucionárias.

Transformar afetos é ação de potência revolucionária. Se inspirar paixões tristes é necessário ao exercício do poder, inspirar paixões alegres é dever de quem visa a revolução. O mundo ainda se move, Eppur si muove: não mais em sua relação com os astros, mas pelos nossos afetos e emoções, e-motions, e-movimentações, movimentações internas, estados alterados por afetos.

Foram quatro semanas de residência na Praça Tiradentes. Todos os dias, eu, a crítica de arte Ophélia Patrício Arrabal e os integrantes do OPAVIVARÁ! dormíamos, nos alimentávamos e trabalhávamos na antiga casa de Bidu Sayão, atual Centro Carioca de Design e Studio X. Em todas as quartas-feiras e sábados, levávamos os equipamentos para a praça, sempre experimentando novos pontos e novas configurações espaciais. Convidávamos as pessoas a trazer receitas e ingredientes e a cortar, picar, descascar, lavar, cozinhar, misturar e trocar com a gente, com todos. Alguns traziam temperos, outros traziam seus tempos.

Mario Trancoso, importante guru carioca dos anos 70 e 80, contava uma história linda: segundo ele, todos os palhaços, malabaristas, atores, artistas populares, artistas circenses, escritores, músicos, boêmios, criadores, amantes, bailarinos e artistas de todo tipo e de todos os tempos, no ato da morte, fazem a passagem, com a alma íntegra, para uma enorme bolha no Cosmos. Esse espaço é o Circo Místico, e todos que chegam até lá praticam, criativamente, eternamente, suas artes - em alegria, paz, animação e harmonia. Segundo Trancoso, quando algum acontecimento na Terra alcança exatamente a mesma vibração mágica de alegria, paz, animação e harmonia do Circo Místico, essa bolha desce e se instaura, momentaneamente, sobre o tal lugar. Pelo tempo que durar a ligação, estão presentes, invisivelmente, todos os artistas de todos os tempos, brincando o carnaval da eternidade. Depois de um tempo, algo acontece para a bolha poder partir. Mas, enquanto o Circo está, nada dá errado, e tudo é glória, prazer, comunhão.

Eu estive na bolha. Quem esteve na praça, também esteve no Circo. Não pude ver nada além do que via todos os dias na praça, mas senti os malabares, as gargalhadas, o cheiro de tinta a óleo, a presença animada das colegas todas: de Leonardo a Hélio, de Madame Satã ao Velho Guerreiro, do Bispo do Rosário ao desconhecido equilibrista de pratos chineses.

-Quando o bicho pega e a bolha vem – Mario Trancoso dizia – entra cachorro, criança e mendigo na roda.

Não deu outra: Os moradores de rua, que ja eram esperados no momento anterior de formatação do projeto, se tornaram parte essencial desta experiência. Foi importante saber o nome de cada um deles. Se, nos grandes meios de comunicação, eles não tem rosto nem nome, na praça eles tem tudo. Tem tanta voz, saliva, desejo, lógica, história, importância como quaisquer outros. Na verdade, aqui, na praça, eles deixaram de ser outros e viraram “a gente”.

Se foram presença desde o primeiro almoço na praça, nas experiências seguintes, muitos deles já explicavam aos passantes:

- A gente é um coletivo de artistas que está fazendo uma ocupação na praça, convidando todo mundo pra comer junto.

É claro que, algumas vezes, surgiam ricos absur-dos:

-Ah! Eles são os repórter da arte de rua!

O importante é que comer é um dos pensamentos do corpo. E, como a gente sabe, nada melhor que pensar junto.

Em uma tarde-quase-noite, servíamos um grande cozido e, quando a comida começava a ser atacada por todos os lados da panela, um dos presentes recorrentes gritou:

-Primeiro as mulheres e as crianças! Depois os malandros!

Ele, que sempre ajudou na cozinha, se referia a alguns poucos que ficavam sentados nas espreguiçadeiras esperando a comida ficar pronta sem querer fazer nada. E prosseguiu:

-Na rua, tem quatro tipos de morador: o desabrigado, o maluquinho, o malandro e a entidade.

É. Pode ser.

Na ação essencialmente assimétrica de comunicar, cada palavra nos lembra do abismo entre um e outro. Nessa relação por linguagem e toque, temos o rosto arrastado na pedra áspera e inevitável da solidão, mas, ao mesmo tempo, o outro é o que nos pega, nos abala, nos encanta, nos ultrapassa, nos rouba de nós mesmos e afirma a vida lá fora. No encontro, o um e o outro são homens igualmente existentes e encantados pelo mistério, pelo co-nhecimento ignorado, pelo desconhecido que está dentro do outro.

Ou, pelo menos, isso tudo vale perfeitamente pra um início. Depois, o ajuntamento de sujeitos desorientados e polarizados entre eus e outros dá lugar a pós-sujeitos anônimos, coisas que sentem com excitação infinita, que apreendem o mundo coletivamente como experiência.

Mas é bom deixar claro que o surgimento do sentir coletivo não traz à praça a indiferenciação. O que se aspira é uma unidade que não exclui a diversidade. Não é isso, também, o Amor?

No próprio coletivo, não há uniformidade. É tudo diversidade, divergência, diversão, outras versões.

A alegria (o afeto alegre) que alcançamos no encontro real com o outro é o que une numa mesma força de existência: a vida existe, somos possíveis e podemos fazer e transformar. E, depois do encontro/do afeto, os valores já foram transformados e a história, alterada, continua por nossos passos.

Mas, então, como quem vem de um furacão, ressurge, na praça, a apresentadora do programa OPAVIVARÁ! AO VIVO!. Enquanto Marcela Carva-lho chupava o curry do hashi, seus movimentos já indicavam que esse seria o microfone da vez. De coturno e piercings, ela samba o corpo todo sem mexer a cabeça. Sorrindo, em gritos animados, vai fazendo a despedida do programa:

-Agradecendo a todos que passaram por aqui, nossa nave vai voar, nossa bolha vai subir! Mando um beijo enorme pro Baruch, nosso Benedito de Spinoza! Um beijo pra Mario Perniola, Mario Trancoso e Mario Pedrosa! Um cheiro no cangote de Toni Negri, seu safadinho maroto! Um beijo pra Madame Satã, pra Duse Nacaratti, pra Muniz Sodré, pra Bakhtin! Um beijo pro Pedro Victor! Tô com saudade de tu, meu desejo! Uma lambida em Milton Santos, Chiquinha Gonzaga, PPPelbart! Aquele agradecimento todo especial a Drummond, Caetano e Antonio Cícero – essa galera da pesada! Um beijo pra Ney Matogrosso, Cibelle, Robin Resch e Luz Del Fuego! Testando o microfone: Je--jejê-jesus, Jesus Martín-Barbero, nosso parceiro! E vale lembrar: Nada deve parecer impossível de mudar! Um beijo pra Marcelo Freixo! E fecho com Freixo! Tchau, pessoal! Um beijo! E até já!