sábado, 6 de dezembro de 2008

Cienciarte

ao meu amor


Pense Ciência.
"É pesquisar para"
"desenvolver para"
"fazer para"
"X".
Nã, nã, nã..
A ciência de Galileu
Não tem como variável
..................Incógnita
..................Objeto
O X chamado
Situação comercial
......................Izável
......................Izante.


Pense Arte.
"É linguagemizar para"
"esteticizar para"
"fazer para"
"X".
Nã, nã, nã..
A arte de Hélio
Não tem como variável
..................Incógnita
..................Objeto
O X chamado
Situação comercial
......................Izável
......................Izante.


Pense que atrás das exatas
Sempre haverá um humano.
E que a ciência verdadeira
Tem no tubo de ensaio
O homem.


Pense que na outra ponta do pincel
Estará sempre um humano.
E que a arte verdadeira
Tem na mente um ensaio
Sobre o homem.


A mestria
A rede
A inovação
As referencias
O mito louco:
Cientista Louco
Artista Louco
............Loucos por querem que o homem
...............................................(imerso no utilitarismo no capital)]
....................................................veja que temos de viver não para silenciar]
....................................................Mas para cienciar(t)
....................................................Cienciar-te
Cienciarte


Vivamos pela cura
Pesquisa, linguagem, desenvolvimento, estética, fatos
Tudo pela cura.
Vivamos pela cura
Cienciarte pela cura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Só o Céu

ao meu amor

Eu nasci quando o todo olhou pro meio do todo e me pôs

do meio do nada

...em dois seios que não eram ainda familiares

em um seio familiar.

Eu vim do céu

...Não importa se do meu céu, se do seu céu, como reflexo de dois céus

da boca.

Vim do céu.

E em daqui

...dessa grande Nova Iorque que é o mundo

eu quero o céu.

...(não quero o seu, não quero o meu, quero o céu)

Só no céu eu não Amo Muito Tudo Isso

Só no céu O Desafio não É A Nossa Energia

Só não céu não há ordens de “Just do it”s.

Eu quero esse céu

Eu quero esse céu azul

...como se quisesse voltar aos céus de que vim

Aos céus onde não há Deus

...onde não há anjos

Aos salivados céus de línguas, de linguagem, de liberdade

...e do silêncio.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Koyaanisqatsi - que tempos são esses?

ao meu amor, sempre

Pelo fato de tudo poder inspirar, de eu ainda poder respirar e de eu não resistir.

(Poesia inspirada em "Koyaanisqats!": um filme que dizem ser documentário dirigido por Godfrey Reggio com música maravilhosa de Philip Glass. Não há fala, não há entrevista, não há narração. Só há música e imagens. Imagens demoradas de longos penhascos e rios e montanhas e uma fábrica e um porto e mais penhascos e campos e montanhas. Koyaanisqatsi vem de uma língua indígena, Hopi, e significa Vida Louca, Vida alterada ou algo do tipo.)


(Esse blog é péssimo e não dá pra editar como quero. De qualquer modo, a 1a estrofe é alinhada à esquerda e o 2o à direita, o 3o à esquerda e assim por diante.)


Koyaanisqats!


A câmera que faz mover pedras que não se movem
O som que faz mover a câmera que não se move
O tempo que faz mover o pensamento que não se move
A luz e a sombra que movem o que não se move

A busca por referências. A ausência de referências
Não ha subjeto. O objeto/face não esconde o explícito subjeto/essência
Curiosidade do Faber
Curiosidade do conceito
Curiosidade o objeto
Como, porque, o que

Homem no meio. Homem move o meio. Homem cria o meio.
Homem é meio que cria meio que move meio que não é homem.

Todo fogo deixa cinzas
Meio é meio que move o homem que moveu o meio.
Arranhamos o céu que nos move
É progresso arranhar o céu assim?
..............................o meio assim?

Nos movendo movemos o meio que criamos
A estrada era reta antes de darmos as curvas

Movemos o meio para viver melhor
Criamos o meio para viver melhor
Carros, aviões, estradas para viver melhor
O meio que vivemos
O meio que criamos
O modo que movemos e criamos
Deu guerra
Deu morte

Viver melhor?

(o tempo o torna insuportável)
Somos originais como salsichas enlatadas emboladas

Tudo isso e rimos
Entretenimento sem sentido
...............que nos move para rir e ter prazer
...............sem saber por que e pelo que somos movidos

Que tempo é esse em que falar sobre árvores é um crime?

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E Ele Se Foi

ao meu amor

(Quem canta um conto, conta com quanto? É só um conto das antigas pra reanimar.)

E ele se foi. Não que ele quisesse. Eu também não queria. Mas chegou sua hora de partir. Depois de me mostrar como se deve viver, depois de ensinar ao mundo que se pode ser feliz independente de qualquer coisa; missão completa; ele se foi feliz.
Eu o conheci antes de ele ter esse espírito falador. Por confiar muito em mim, logo se tornou muito dependente. E eu era dependente da dependência dele! E foi assim pelos 10 15 anos que seguiram nosso primeiro olhar. Depois, ele decidiu criar asas, ganhar novos ares. Mas nunca perdemos esse laço que nos ligava. Ele sempre com novas amizades, novas paixõesinhas, novos ambientes, novos gostos. Mas nossa relação nunca se perdeu.
23 anos juntos e ele sempre feliz. Um dia, ele começou a sofre muito. Eram muitas provações juntas: em um dos dias mais triste da vida, seu pai morreu; foi traído por uma tal mocinha que ele se encontrava havia 6 anos; seu melhor amigo foi pra Oceania cuidar de uma ONG de eco-loucos. Nada estava dando certo pra ele.
Como eu sofria em vê-lo assim..
Mas um dia, os castanhos olhinhos tristes secos e caídos deram lugar ao sorriso brilhante que eu tanto gostava. De inicio, me preocupei: “será que está se alienando pós-traumas? Será que está enlouquecendo?”. Logo percebi meu erro. Ele estava mais antenado do que nunca.
Contradizendo seu discurso ateísta, dizia pra mim que a morte do Pai era “a passagem pra um lugar melhor”. A traição da outra era “um alerta do destino pra acordar da paixão louca e ver que não era pra ele estar com ela”. A viagem do amigo tinha boa causa: alias, “o que seria do mundo sem os marsupiais?”.
Ele dizia essas coisas com aquele seu olhar de menino feliz: inseguro, inconseqüente, alegre, carente e pleno de utopias bobas.
Ele decidiu então ajudar os outros com esse seu novo modo de viver a vida. Visitava asilos, orfanatos, hospitais, creches, falava com moradores de rua, etc.. Fez todos verem o mundo pelo seu modo mais feliz. Sua felicidade se baseava na felicidade de quem ele ajudava.
Há 2 meses, ele começou a adoecer. Com causa desconhecida, ele , que tinha um corpo maravilhoso, iniciou um processo de emagrecimento intenso. Seus movimentos foram ficando mais fracos, lentos, custosos.
Nessa ultima semana, ele piorou muito. E só eu sabia daquele estado em que ele se encontrava. O mundo estava feliz como ele o havia deixado. Só eu sofria essa tristeza. Com ele, morreria minha felicidade.
Ontem, ele dormia e eu chorava muito imaginando sua morte, seu enterro, eu sem ele. Ele abriu os olhos e perguntou “Porque está chorando?”. Eu respondi que era pelo medo de sua morte e ele respondeu que aquela era a passagem dele, o momento dele e que o mundo prosseguiria sem ele. Pediu pra eu continuar minha vida e sua missão.
Eu ri e fiquei orgulhosa por ele se preocupar comigo e com todos mesmo nos seus últimos momentos. Garanti-lhe que estava feliz. Realmente estava! E, então, ele suspirou, olhou pra mim e sorriu como quem dissesse “Até mais, mãe...”