segunda-feira, 13 de julho de 2009

Crítica: Br22 BobN Remix - Bob N

(ao meu amor)

(publicado no catálogo da exposição)

Baudelaire dizia ter pena dos artistas que se dizem guiados apenas pelos instintos. Bob N afirma perceber a importância de suas obras somente depois de realizadas. Porém, Bob não é digno de dó. Na quinta das onze "Teses sobre Feuerbach", Marx diz que esse primeiro filósofo "não satisfeito com o pensamento abstrato, quer a intuição; mas não apreende a sensibilidade como atividade prática, humano-sensível.". Bob trabalha mais na sensibilidade. A partir de referências diversas e explícitas e um largo e afiado humor, o artista cria sua personalidade e obra.

O costume de contar versões alternativas de histórias acabou por se tornar a base estrutural dessa exposição. Retirando elementos de quadros de Tarsila, Pancetti, Di Cavalcanti e Anita Malfatti e alterando essas imagens digitalmente, Bob N cria novas molduras para essas obras, conversando sobre o papel ativo do espectador-decodificador no deleite estético e colocando em cores a questão da referência referente, da re-originalidade, da reedição: não é à toa o nome "Br 22 Bob N Remix". Bob está expondo seu trabalho de DJ de imagens modernas brasileiras. "O DJ, copiando e colando loops de músicas, ativa a história da música" diz o crítico da Postproduction Nicolas Bourriaud. Bob N ativa a História da Arte Brasileira.

As fantasias e anedotas que Bob pessoalmente não pára de contar são constantes também em seu trabalho. Em um ato falho (ideológico), Bob N se defende e afirma fortemente "meu trabalho é sério!". E ninguém nunca saberá o que ele pensou ao dar o longo sorriso depois da afirmação. Bob entende que o humor é o caminho fácil mais difícil e que, se bem elaborado, como Bob o faz naturalmente, pode funcionar como saída à racionalidade e à seriedade ascética urbano-industrial.

Sem medo de ser humor-arte, sem medo de discotecar imagens recicladas do tesouro nacinal, Bob corajosamente dá a cara a tapa (colo)rindo no MAM. Se, na última daquelas "Teses sobre Feuerbach", Marx diz que "Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo", polarizando, assim, teoria e prática, Bob N mostra aqui que pôde transformar materializando a interpretação, convidando-nos, em seqüência, a interpretar sua obra. E a transformá-la com nossas interpretações.

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