quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Ao povo do Resort

ao meu amor



Oh! Santo povo do Resort
Tão já sem culpa
E tão culpado sem saber
......................Sem se culpar

Oh! Nobre povo do Resort
Tanto tesouro
Tanta fartura

Inebriado povo pelo champanhe mais rosé
Alimentado povo pela comida tão surgida no prato

Enquanto dormem
Em suas madrugadas que relampejam em Phillips mega master HD 14900 light-plus
(por míseros três mil sacos de feijão na loja mais iluminada do Shopping Recife)
Eu canto aqui fora
Com caules cocos copas coqueiros
E vejo
- acredite! –
Yemanjá ondular a trazer uma negra
Afrodite
Em uma grande concha de ardósia.

Oh! Seleto povo do Resort
Enquanto dormem
Eu, Yemanjá, Afrodite
Sambando
Temos a lua cheia dentro dos olhos
E gargalhamos com as brilhantes Três Marias.

Mas quando o Astro Rei se impuser
E acordarem vocês
Não será por sua fartura, felicidade, Phillips ou falta de fé
Que choraremos.
A terrena e arenosa lágrima nos escorrerá
Por, à luz, vermos
A camareira culpada, o garçom que tem fome, o recepcionista doente e mal assistido.

Choraremos.
O mesmo vento que seca o sertão secará nossas já secas finas gotas.

E na madrugada do
Amanhã
Estaremos ainda aqui
Eu, Yê, a nêga-Afro-dite, as 3 Marias, a Lua,a camareira Jurema, o garçom Iran, o recepcionista Júlio.
Mas vocês, sorrindo largo em seus fantásticos sonhos de resort
Não verão do nosso mar surgir
Nosso Grande Samba.

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