sábado, 10 de maio de 2008

Desform-Ode ao Amor III

ao meu amor
e ao meu amor


De dois


Desproblematizado
O Amor não seria mais.
Sem os olhares incompreensíveis
Entre os olhares magicamente compreendidos,
Sem alguns mais pesados nãos
Depois e antes de todos os livres sins,
Sem os dias de sobrancelha elevada
Entre os dias de testa lisissíma,
Qual seria?

Desencantado
Teria sido o Amor então
Desassimilado de toda ética
Absolvido por cada minúcia
Onde o fio da métrica
Seria perdido na sanha
Assim seria?

Desclassificado
Não seria Amor de certo.
Sem pálpebras fechadas
Em beijos escancarados,
Sem os êxtases trêmulos
Nos momentos de firme eternidade,
Sem o desfile do corpo nu
Na mostra de toda sua indumentária,
Que seria?
Amável
Seria então o tal amor
Se sempre reconhecidos
Fossemos em nossas importâncias.
Se em perguntas e curiosidades e subjetividades
Não fossemos sempre
Certos
Loucos
(impotentes quanto a isso)
E marcados para a exclusão.
Será que seria mais amável o amor?

Ou será que poderia ser mais amável?

Lúdico
Sendo então talvez
Menos real do que desejado
Por demais inventivo quando se soubesse
Que dele em grandeza não caberia em si
E mesmo fosse mínimo
Luta inversa
Blefe
Já estaria no mármore,
Incondicional e fluido
...
E seria tudo
Que ali ficasse...

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