(ao meu amor)
O Grupo UM foi fundado em 2003 por Nadam
Guerra e Domingos Guimaraens e reunia artistas em exposições com “motes” como
“Teatro Abstrato”, “Humanogravura”, “Escultura Imaterial”, “Performance
Fotográfica” e “Chanchada Conceitual”. Seu manifesto fundador revelava o
interesse comum dos participantes na chamada “arte viva”: “Tudo é Um. Arte é
Um.”. Com dinâmica de reuniões regulares e experiências expositivas temáticas
sem curadores, o grupo chegou a ser formado por quase 20 artistas. Entre os
participantes: Nadam Guerra, Carlos Eduardo Cinelli, Jaya Pravaz, Julia Csekö,
Joana Traub Csekö, Löis Lancaster, Pedro Seiblitz, Natalia Warth, Tissa
Valverde, Marina Dain, Moana Mayall, Bruno Castello, Ophélia Patrício Arrabal,
Cristian Caselli e Luiz Lopes, além de Daniel Toledo e Domingos Guimaraens, que
viriam a fazer parte do coletivo OPAVIVARÁ!. Como convidados, participaram,
entre outros, Roberto Alvin, Alexandre Sá, Andrea Jabor, Debora 70, Amélia
Possidônio, Leila Lessa, Tato Teixeira, Livia Rosa Freitas, Elaine Thomazzi e
Ricky Seabra.
O Grupo UM, como o Grupo Py e outras
experiências radicais de ocupação de espaços alternativos para arte
contemporânea (como os Orlândias), teve sua origem numa época em que havia
muito menos espaços expositivos institucionalizados e editais para fomento de
arte contemporânea no Rio de Janeiro. Essa exposição comemora os primeiros 10
anos do Grupo UM.
Porém, essa não é uma mostra retrospectiva.
Todos os trabalhos que compõem “Rupestre Contemporâneo” são inéditos e
resultados das relações entre os artistas que compõem essa nova formação do
Grupo UM: Nadam Guerra, Domingos Guimaraens, Aline Elias, Leo Liz, Juca Américo
e Euclides Terra. Com origens geográficas, idades, posicionamentos políticos,
poéticas e interesses bastante diversos, esses artistas se reúnem regularmente
há dois anos elaborando as parcerias cujos frutos encontramos nessa exposição.
Nadam e Domingos são os únicos que
participaram desses 10 anos ininterruptamente. Domingos é poeta, artista visual
e faz parte desde 2008 do coletivo OPAVIVARÁ!. Nadam Guerra tem uma produção
extensa e muito heterogênea. Já desenvolveu trabalhos de cinema ao vivo, vídeo
arte, performance, arte relacional, cerâmica etc. É um dos fundadores da
ecovila Terra Una e um dos organizadores do festival de arte vida V::E::R.
Pode talvez não parecer, mas acredite: essa
é uma mostra individual de Nadam Guerra.
“Nadam Guerra é um artista contemporâneo
carioca. Há mais de uma década, vem investigando um apertado emaranhado entre
identidade, relações e narrativas. Por sua produção ser muito heterogênea e por
ele não ter sido muito visto nos eventos da cidade, alguns duvidam se ele
existe de fato ou se é um trabalho do Grupo UM. Outros dizem que ele se faz de
muitos e de outros para agrupar o tanto que transborda dos limites muito
apertados por uma existência só.
Sonhei com ele quando tomei Ayahuasca. Veio
um anjo, e estava lá ele embaixo da asa do outro. Depois um índio me apresentou
à sua mãe. É bem louco isso, mas é verdade. Alguns dias depois, com tantas dúvidas
rolando por aí, por um momento, eu desconfiei que eu havia inventado Nadam, mas
eu não inventaria esse sobrenome Guerra. Não mesmo. Nada contra, mas eu seria
menos literal.
“Nadam” não: esse eu poderia ter escolhido
como nome para um personagem. É ótimo. É esquisito, e ninguém duvidaria de que
é real. Nenhum personagem inventado tem um nome estranho desse. Se fosse José
Carlos, as pessoas poderiam duvidar.
De todo modo, logo depois tive medo de ter
sido inventado e manipulado por ele. Tem esse lance: quando a pessoa não cabe
em si, não cabem também seus artifícios. Real ou não, Nadam é uma figura
cativante e encantadora: um verdadeiro interessado na expansão do espaço
compartilhado entre a arte e a vida. Amante da matéria viva e da matéria coisa.
Materializador de sonhos e desmaterializador de limites. Como ele mesmo diria:
- Quando a arte é boa, é vida. Quando a
vida é boa, é arte.”
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