(ao meu amor)
Nenhuma outra expressão poderia sintetizar de maneira mais abrangente e exata tudo o que Luiz Pizarro gostaria de dizer com esta exposição. No título “Morros Velados”, o adjetivo tem três sentidos que resumem a poética do conjunto de obras do artista expostos no foyer do MAM RJ de 11 de novembro a 3 de janeiro de 2010.
Desde 1997, quando morava na Alemanha, o artista desenvolve uma técnica com a qual consegue gravar na parafina imagens antes em papel. Após pesquisa por fotografias em preto e branco registradas por turistas estrangeiros nas favelas cariocas, o artista refragmenta estas comunidades e as reconstrói de modo a formar famosos relevos do Rio de Janeiro ainda inabitados, como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Pedra da Gávea, o Dedo de Deus, etc. Sempre obstinado a fazer trabalhos quase artesanais e com materiais de baixo custo, Pizarro utiliza, nesta série, parafina derivada do derretimento de velas. E eis os Morros, feitos com velas, Velados.
Os 20 quadros de pequeno e médio formatos expostos sobre uma parede colorida em azul escuro de 12 metros de extensão remetem às tão cantadas luzes dos morros cariocas à noite. Pizarro acredita que as favelas são o único tipo de sistema que funciona no Brasil e que, mesmo desorientado e no caos, segue em algum desenvolvimento. É um organismo vivo imperado pelo vazio de poder. Pizarro é um artista indignado que descobriu uma maneira poética de ser político, que acredita que o cidadão carioca vive em cega letargia, que todos os tipos de sofrimento que habitam as favelas do Rio de Janeiro são escondidos em nome de uma auto-estima ufanista eufórica. Eis os Morros, escondidos, Velados.
Mas o impacto primeiro que Pizarro procura, antes do discursivo ou semântico, é o visual. A plasticidade e a luminosidade da matéria com a qual trabalha são elementos que realmente interessam ao artista. Jogando e, virtualmente, criticando o distante olhar dirigido pelos estrangeiros e brasileiros às favelas cariocas, Pizarro remonta ao nome da técnica inventada pelos pintores renascentistas para representar, com perspectiva aérea, as montanhas italianas: Veladura. Eis os Morros, vistos de longe, Velados.
A exposição terá abertura com coquetel para convidados no dia 11 de novembro às 19h e para o público a partir do dia 12 de novembro. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro fica na Avenida Dom Henriques, 85, Parque do Flamengo e funciona de 3ª a 6ª feira das 12 às 18h e Sábados, Domingos e feriados das 12 às 19h. O salão de exposições não estará aberto nos dias 24, 25 e 31 de Dezembro e no dia 1º de Janeiro.
In MC we trust (por 7A)
Há 15 anos
Um comentário:
Esse Pizarro é um gênio. Vê muito além dessa turma de políticos e filósofos que tentam explicar os problemas sociais. O povo sabe mais na sua aparente loucura de sobreviver. Os aparentemente loucos resolvem melhor os problemas sem muitas explicações. Pô cara,é de gente assim que a política precisa.
Dá uma visita em nnaagyr.net23.net e diz o que este louco aqui pintou.
Tô querendo papo de arte com o Mosqueira. Valeu!!!!
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